(Por Hugo Oliveira)

Desde que eu e Letícia fomos demitidos, passamos a trabalhar como nunca. Parece uma afirmação contraditória, mas faz sentido. O Feito Café exige de nós uma dedicação total, tipo Casas Bahia. Ensaios, planejamentos, divulgação na mídia e nas redes sociais, processo de composição, compra de equipamentos, aulas de música… Dá uma trabalheira dos diabos, e é aquilo: investimento de risco. Uma aposta num futuro não tão próximo, e que pode nem acontecer.

Mas a gente topou e seguimos dando continuidade à batalha. Aqui estamos, dispostos a comer o “sanduíche de merda” que simboliza o lado ruim das escolhas maravilhosas que tomamos. E sei que não somos os únicos a provar da dor e da delícia de poder fazer o que queremos de nossas vidas, mesmo que tudo em volta pareça conspirar contra.

Exemplos disso não faltam. Zilhões de amigos meus se encontram nessa situação, o que me faz pensar que essa questão talvez seja geracional. Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais? Não sei, “Bigode”. A coisa tá estranha para essa pós-juventude latino-americana.

No dia 30 de maio, quarta-feira, quem passou aqui pela nossa casa, em Angra dos Reis, foi a querida colega e ídola Chris Fuscaldo, acompanhada do marido gente finíssima, Marco – obrigado pelo presente, amigos!

Musicista, jornalista e escritora, Chris está com um projeto lindo, a respeito de um livro sobre a banda Os Mutantes, tentando viabilizar o volume através de um crowdfunding via Cartase – https://www.catarse.me/discobiografiamutante.

Parece uma missão facílima, correto? “Discobiografia Mutante” é um livro bonitão, que conta a história dos discos daquele que é um dos grupos de rock mais famosos do Brasil – conhecido internacionalmente e com uma lista de fãs que inclui Sean Lennon, David Byrne e até mesmo o falecido Kurt Cobain, só pra ficar nos nomes mais notórios.

Além disso, é um volume que conta com a assinatura da Chris, uma jornalista musical com passagens pelo Globo e pela Rolling Stone Brasil, responsável pelo livro “Discobiografia Legionária” (2016), que discorre brilhantemente a respeito dos discos daquela outra maior banda do país, a Legião Urbana.

Com todos esses dados e com esse baita currículo de serviços prestados à música e à cultura do país, você acaba imaginando que ela já atingiu o objetivo da campanha, garantindo a publicação do volume e fazendo a alegria da galera que respira arte 24 horas por dia. Mas ainda não rolou.

A campanha termina amanhã, dia 3 de junho, domingo. Até o momento, 83% do objetivo foi alcançado, mas faltam 17% que fazem total diferença. Que tal você parar agora de ler e acessar o site do projeto, para dar aquela força e ainda ganhar uma recompensa especial? Vai lá que eu te espero!

30 minutos depois – Quer dizer, 10, porque o processo todo é bem rápido!

Voltando à vaca fria: hoje, com a revolução digital ditando as regras de praticamente todos os aspectos de nossas vidas, os artistas têm infinitas possibilidades de divulgar seus trabalhos e instigar as pessoas a comprá-los. A ideia de viver da sua arte, do seu sustento, – mesmo que isso não signifique ter a fama de um Lulu Santos ou virar um semideus tipo Roberto Carlos – é possível… Ainda que cheia de obstáculos poderosos e dificuldades brochantes pela frente, por trás, pelos lados, por cima, no meio, AI MEU DEUS TÁ ME PEGANDO!

Brincadeiras à parte, o mundo maravilhoso da internet ofereceu praticidade e também encurtou o caminho entre o artista e o público. Mas, por outro lado, colocou todo mundo na mesma sala de jantar com acesso ao wi-fi e à playlist da moda. Geral ocupado em nascer, morrer e, no meio disso tudo, escutar 30 segundos de cada música e já passar o dedo de cima para baixo na tela do celular, buscando a próxima emoção descartável.

Mergulhe em algo que te dê prazer. Com vontade, de forma profunda. A gente pode ficar na parte rasa da água do mar, mas todo mundo sabe que as coisas acontecem no fundo, longe dos outros e perto de nós mesmos.

Ajude aqueles que querem nos guiar nessa viagem. Apoie os artistas independentes e menores, sem deixar de cair de amores também pelos grandões, o que é absolutamente normal e igualmente gratificante. Um dia pode ser você a chegar à beira da praia com um bilhete onde se lê “somos bons, mas estamos perdidos” dentro de uma garrafa de vidro e, ao tentar jogá-lo ao mar, notar que existem milhões de garrafas iguais, boiando, esperando para serem achadas.

Encontramos a da Chris. Ops, acabamos de tropeçar na do André Prando, ao lado de um peixe “Voador” – https://www.catarse.me/andreprando. Fique ligado: em pouco tempo, a do Feito Café vai emergir por aí. E que honra seria ser encontrado por você.

Seguimos todos nós daquele jeito: por meio da arte de sorrir quando o mundo diz não.