Por Hugo Oliveira

Numa época em que alguns coachs musicais oferecem sucesso e fama a seus alunos em três meses – ou todo o dinheiro investido de volta -, vale muito dar uma boa conferida nos links que vão de lambuja nesta postagem. Quer dizer: alguns ensinamentos e dicas de total importância para músicos independentes estão presentes no texto da banda Lupe de Lupe e na entrevista fornecida pela musicista Larissa Conforto ao site Trabalho Sujo. Ainda assim, o que também salta aos olhos com  força são os depoimentos que reforçam o trabalho pesado e ininterrupto dos músicos quanto à sobrevivência num cenário complexo, mas promissor.

A primeira vez que ouvi falar do Lupe de Lupe foi justamente quando o grupo divulgou a prestação de contas da turnê “Sem sair na Rolling Stone 2017”. O documento produzido pela banda é uma declaração de que, trabalhando duro, é possível viver tocando música autoral pelo país com uma estrutura mínima. Além disso, ele demonstra a importância dos contatos que devemos fazer em cada show, seja ele pequeno ou aparentemente desimportante. Voltei a ouvir falar da banda quando eles lançaram o clipe de uma música muito, muito foda, intitulada “O Brasil quer mais”, cuja letra ataca pra tudo quanto é lado é acerta na maioria das vezes.

Já em relação a Larissa, tomei conhecimento dela quando um grande amigo meu e da Letícia – e músico fodão -, o uruguaio Miguel Bestard, começou a se apresentar no Rio de Janeiro, ali por volta de 2014, 2015, contando com as baquetas da moça em alguns shows. Depois disso, ela apareceu para mim como baterista do Ventre, um trio carioca que tocava uma música tão original – chamar de rock seria reduzir o trabalho da galera – quanto desafiadora. Uma banda de canções intensas e enigmáticas, com uma trajetória idem, que chegou ao fim no Lollapalooza 2018.

A quantidade de dúvidas lançadas ao vento da internet, por conta do término do conjunto, gerou uma entrevista interessantíssima com Larissa, efetuada pelo jornalista Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo. Nela, a moça, que tem uma folha de serviços prestados à música underground/alternativa tão grande e diversificada que mereceria uma postagem específica sobre isso, vai além do tema “fim do trio”, e discorre sobre o mercado independente brasileiro, o papel das casas de show, comunicação/divulgação e a evolução da cena indie brasileira. Uma aula foda e sem tom professoral.

Os dois links seguem ao final deste texto. Servem tanto aos músicos que, como o Feito Café, querem viver de seu trabalho musical, quanto a outros profissionais da área ou simplesmente fãs de música, pessoas que não conseguem viver num mundo sem novos sons, batidas e pulsações.

Somos desses. E temos certeza que você também é. Seja bem-vindo. Agora… Ao trabalho!

 

Lupe de Lupe – https://steemit.com/brazil/@vitorbrauer/turne-sem-sair-na-rolling-stone-2017-a-prestacao-de-contas

 

Larissa Conforto – www.trabalhosujo.com.br/vida-apos-o-ventre/