Arte (também) nos pormenores

E lá vamos nós de novo na tentativa de atualizar este espaço de maneira minimamente decente – pela primeira vez, inclusive. De qualquer forma, já vamos avisando que é uma tarefa difícil pra cacete. Soa estranho escrever isso, mas, no olho desse furacão impiedoso chamado vida, produzir textos que fujam do zeitgeist vigente, da correria desenfreada por likes e visualizações, chega a parecer rebeldia. E aí: bora nadar contra a corrente?

Caminhar no sentido contrário ao vento é para poucos. O “cowboy fora-da-lei” da realidade precisa, logo de cara, ser bom. Ou isso, ou ser meio doido de pedra. As porradas e críticas que geralmente recaem sobre esses sujeitos são ainda mais fortes. O preço pago pela ousadia, altíssimo. Ainda assim, pode ser que essas histórias reservem boas cenas àqueles protagonistas que resolveram encarar o desafio. Lembre-se: pode ser.

O músico Phillip Long e o produtor Clemente Magalhães são duas pessoas que, cada uma à sua maneira e em diferentes níveis, resolveram trilhar o “Walk On The Wild Side” dentro de uma área espinhosa por natureza. Atingiram seus objetivos? Olha, aí já é com você. Por aqui, a resposta é positiva. Este texto, inclusive, é um “obrigado” a eles, pelo simples fato de terem sido justos e impiedosos por meio de reflexões que nos ajudaram em certos momentos.

Mas o que esses caras fizeram por nós? Ensinaram-nos um truque para tocar no Coachella? Fizeram com que a gente entendesse que o Feito Café está preparado para o sucesso, sendo ele apenas uma questão de tempo? Nada disso. Eles apenas foram aparentemente verdadeiros, de carne e osso, na hora certa. Mais do que elencar aqui as qualidades do músico Phillip ou do produtor e do profissional em consultoria/marketing digital Clemente, digito estas linhas para agradecer pela sinceridade direta em dizer o que eu precisava ouvir… Não necessariamente por conta de suas principais habilidades.

Não foi a música folk brilhante de Phillip que me tocou mais fundo. Foram os textos dele no Facebook. Isso mesmo que você leu. Phillip, entre uma postagem e outra, escreve comentários muito fortes sobre o cenário musical independente brasileiro. A experiência de mais de dez discos lançados e a vivência profunda nesse meio forneceram matéria-prima para o músico dizer coisas essenciais a pessoas como eu, inicialmente deslumbrados pela força da internet e pelo otimismo fantasioso de certos coaches da área. A voz de Phillip me trouxe para o chão, mas não me privou de olhar para o alto. E isso é ótimo.

Clemente poderia ser exatamente o tipo de cara que está aí para convencer você do seu próprio talento inconteste. Faz vídeos espertos na intenção de ajudar a galera, segue cada vez mais presente nas redes sociais, enfim, parece – e é – um profissional da indústria tentando destravar habilidades que muitos músicos não sabem que têm. Mas no meio do caminho tinha um “foda-se”. Isso mesmo: Clê é desbocado, descomplicado e faz questão de mostrar que erra e também tem suas dúvidas. Num mundo de experts e sabichões mil, é bom saber que não estamos sozinhos em não ter opinião formada sobre tudo, a toda hora.

Para quem lida com música, independente do estilo ou ponto em que se encontra na carreira, pode ser uma boa acompanhar a trajetória de ambos, conhecendo melhor seus trabalhos, diretrizes e opiniões. Tanto Phillip Long quanto Clemente Magalhães são extremamente talentosos naquilo que se propuseram a fazer. Mas, ao menos para o Feito Café, são nos momentos mais inusitados que eles soam especiais.

 

 

Apesar de você (2019)

Apesar da quantidade de notícias ruins relacionadas ao começo do ano, e da própria dificuldade de manter um projeto musical autoral independente no Brasil – que infelizmente, não depende de ano  -, 2019 será especial para o Feito Café.

Apesar de, por diversas vezes, eu e Letícia estarmos lidando com dificuldades gigantescas referentes à manutenção do projeto, colocando nossa vida pessoal em segundo plano, música pop segue sendo nosso vício, nossa missão. Os obstáculos seguem imponentes, mas a gente também segue. Às vezes, cambaleantes; noutras ocasiões, de forma mais lenta do que gostaríamos. Ainda assim, vamos à frente, mesmo que passo a passo. E é isso que importa.

Apesar dos pesares, tocamos em São Paulo no final do ano passado, e conhecemos musicistas/compositoras/letristas incríveis – Lívia Mendes e Nathália Lobato, amamos vocês! Organizamos um festival itinerante, o “Caminhos do Folk”, que passou por Angra e Paraty, reforçando nossos laços de amizade com Lívia e Nath – esta última, atendendo pela alcunha de Versos Polaris – e criando novos com Pedro e Denis, do maravilhoso duo Devonts.

Apesar disso, queremos mais. E estamos tendo: amanhã, domingo, 27 de janeiro, a partir das 18h, tocamos com Bruno Perez e Bárbara, cantautores angrenses, em outro evento que organizamos, o “Canção-postal”, que consiste em apresentações gratuitas, em formatos simples – voz e violão -, nos cartões-postais da cidade em que vivemos.

Apesar, duo? Espere aí: e o show do dia 10 de fevereiro, domingo, em Belo Horizonte, dentro do Let’s Folk Sessions? E a possibilidade de antes, dia 9, lançar “Barbacena” na cidade de Barbacena? E o lançamento – finalmente! – de “Um recado para Tito”, single avulso que vai fechar a primeira fase do Feito Café?

Pensando bem, vamos continuar olhando para trás, sim. Mas, menos para constatar nossas derrotas e mais para enxergar nossos avanços.

Quanto ao amanhã, apesar de tudo, vai ser outro dia. E melhor.

Aliás, já está sendo.

 

Let ‘em laugh while they can
Let ‘em spin, let ‘em scatter in the wind
I have been to the movies, I’ve seen how it ends
And the joke’s on them

 

“The Joke” – Brandi Carlile

 

 

 

 

Outra vida

Eis que estamos de volta! Isso mesmo: depois de uma parada estratégica para cuidar de outros aspectos de nossas vidas, eu e Lê retomamos o leme do Feito Café e seguimos navegando. Se as águas são turbulentas? Demais! Mesmo assim, não podemos titubear: existe uma ponte em constante construção, na intenção de que esse trajeto seja menos inóspito. E ela se chama prazer.

Trabalhar com música é uma atividade normal. Ok, mentira. O ofício até pode se assemelhar a outros, mas existe algo que torna a lida musical diária especial. Falo por mim e pela Lê: jornalista por formação, nunca senti prazer em determinadas características da profissão – algumas, na verdade, causam-me náuseas; farmacêutica, Letícia passou os últimos anos na área sofrendo de transtorno de ansiedade e, pior do que isso, desiludindo-se com tudo.

A música chegou a nossa vida para mudar diretrizes e conceitos; aliviar preocupações e dores mil; gerar cor onde antes havia cinza; fornecer paz em qualquer que seja o cenário vivido. Parece perfeito, correto? E é. Porém, contudo, todavia, paga-se um preço pelo pacto com essa divina emoção de criar e também defender canções. O valor é alto, sem dúvidas. E a caminhada é longa. Mas a outra alternativa… Ah, a outra é… Outra?  Pra frente é que se anda.

Quarenta primaveras completadas neste ano, minha fé nas paixões segue cada vez mais incólume. É verdade que os resquícios da “outra vida” são, por vezes, paralisantes. Eu, que sempre me vi a parte de certas tendências, encontrei-me perdido num certo momento deste ano. Por coincidência, Letícia também passou por uma fase difícil. E então, num dia como outro qualquer, resolvemos sorrir novamente, juntos. E tudo começou a clarear.

Eu não sei se este texto vai fazer sentido para você, leitor/leitora. Esperamos que sim. As palavras publicadas nele não são voltadas apenas a músicos, compositores ou profissionais da área. Acredito que, cortando aqui e adaptando ali, serve para quase todo mundo. Nascer, crescer, reproduzir e morrer? Beleza: mas a gente pode ter um pouco mais no meio desse processo. Botamos fé.

 

Obs: fique ligado no site. Vem aí não apenas uma, mas TRÊS datas de shows!

 

 

Dois links; duas aulas

Por Hugo Oliveira

Numa época em que alguns coachs musicais oferecem sucesso e fama a seus alunos em três meses – ou todo o dinheiro investido de volta -, vale muito dar uma boa conferida nos links que vão de lambuja nesta postagem. Quer dizer: alguns ensinamentos e dicas de total importância para músicos independentes estão presentes no texto da banda Lupe de Lupe e na entrevista fornecida pela musicista Larissa Conforto ao site Trabalho Sujo. Ainda assim, o que também salta aos olhos com  força são os depoimentos que reforçam o trabalho pesado e ininterrupto dos músicos quanto à sobrevivência num cenário complexo, mas promissor.

A primeira vez que ouvi falar do Lupe de Lupe foi justamente quando o grupo divulgou a prestação de contas da turnê “Sem sair na Rolling Stone 2017”. O documento produzido pela banda é uma declaração de que, trabalhando duro, é possível viver tocando música autoral pelo país com uma estrutura mínima. Além disso, ele demonstra a importância dos contatos que devemos fazer em cada show, seja ele pequeno ou aparentemente desimportante. Voltei a ouvir falar da banda quando eles lançaram o clipe de uma música muito, muito foda, intitulada “O Brasil quer mais”, cuja letra ataca pra tudo quanto é lado é acerta na maioria das vezes.

Já em relação a Larissa, tomei conhecimento dela quando um grande amigo meu e da Letícia – e músico fodão -, o uruguaio Miguel Bestard, começou a se apresentar no Rio de Janeiro, ali por volta de 2014, 2015, contando com as baquetas da moça em alguns shows. Depois disso, ela apareceu para mim como baterista do Ventre, um trio carioca que tocava uma música tão original – chamar de rock seria reduzir o trabalho da galera – quanto desafiadora. Uma banda de canções intensas e enigmáticas, com uma trajetória idem, que chegou ao fim no Lollapalooza 2018.

A quantidade de dúvidas lançadas ao vento da internet, por conta do término do conjunto, gerou uma entrevista interessantíssima com Larissa, efetuada pelo jornalista Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo. Nela, a moça, que tem uma folha de serviços prestados à música underground/alternativa tão grande e diversificada que mereceria uma postagem específica sobre isso, vai além do tema “fim do trio”, e discorre sobre o mercado independente brasileiro, o papel das casas de show, comunicação/divulgação e a evolução da cena indie brasileira. Uma aula foda e sem tom professoral.

Os dois links seguem ao final deste texto. Servem tanto aos músicos que, como o Feito Café, querem viver de seu trabalho musical, quanto a outros profissionais da área ou simplesmente fãs de música, pessoas que não conseguem viver num mundo sem novos sons, batidas e pulsações.

Somos desses. E temos certeza que você também é. Seja bem-vindo. Agora… Ao trabalho!

 

Lupe de Lupe – https://steemit.com/brazil/@vitorbrauer/turne-sem-sair-na-rolling-stone-2017-a-prestacao-de-contas

 

Larissa Conforto – www.trabalhosujo.com.br/vida-apos-o-ventre/

 

 

 

 

 

 

Para sair da sala de jantar: coisas a fazer além de nascer e morrer!

(Por Hugo Oliveira)

Desde que eu e Letícia fomos demitidos, passamos a trabalhar como nunca. Parece uma afirmação contraditória, mas faz sentido. O Feito Café exige de nós uma dedicação total, tipo Casas Bahia. Ensaios, planejamentos, divulgação na mídia e nas redes sociais, processo de composição, compra de equipamentos, aulas de música… Dá uma trabalheira dos diabos, e é aquilo: investimento de risco. Uma aposta num futuro não tão próximo, e que pode nem acontecer.

Mas a gente topou e seguimos dando continuidade à batalha. Aqui estamos, dispostos a comer o “sanduíche de merda” que simboliza o lado ruim das escolhas maravilhosas que tomamos. E sei que não somos os únicos a provar da dor e da delícia de poder fazer o que queremos de nossas vidas, mesmo que tudo em volta pareça conspirar contra.

Exemplos disso não faltam. Zilhões de amigos meus se encontram nessa situação, o que me faz pensar que essa questão talvez seja geracional. Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais? Não sei, “Bigode”. A coisa tá estranha para essa pós-juventude latino-americana.

No dia 30 de maio, quarta-feira, quem passou aqui pela nossa casa, em Angra dos Reis, foi a querida colega e ídola Chris Fuscaldo, acompanhada do marido gente finíssima, Marco – obrigado pelo presente, amigos!

Musicista, jornalista e escritora, Chris está com um projeto lindo, a respeito de um livro sobre a banda Os Mutantes, tentando viabilizar o volume através de um crowdfunding via Cartase – https://www.catarse.me/discobiografiamutante.

Parece uma missão facílima, correto? “Discobiografia Mutante” é um livro bonitão, que conta a história dos discos daquele que é um dos grupos de rock mais famosos do Brasil – conhecido internacionalmente e com uma lista de fãs que inclui Sean Lennon, David Byrne e até mesmo o falecido Kurt Cobain, só pra ficar nos nomes mais notórios.

Além disso, é um volume que conta com a assinatura da Chris, uma jornalista musical com passagens pelo Globo e pela Rolling Stone Brasil, responsável pelo livro “Discobiografia Legionária” (2016), que discorre brilhantemente a respeito dos discos daquela outra maior banda do país, a Legião Urbana.

Com todos esses dados e com esse baita currículo de serviços prestados à música e à cultura do país, você acaba imaginando que ela já atingiu o objetivo da campanha, garantindo a publicação do volume e fazendo a alegria da galera que respira arte 24 horas por dia. Mas ainda não rolou.

A campanha termina amanhã, dia 3 de junho, domingo. Até o momento, 83% do objetivo foi alcançado, mas faltam 17% que fazem total diferença. Que tal você parar agora de ler e acessar o site do projeto, para dar aquela força e ainda ganhar uma recompensa especial? Vai lá que eu te espero!

30 minutos depois – Quer dizer, 10, porque o processo todo é bem rápido!

Voltando à vaca fria: hoje, com a revolução digital ditando as regras de praticamente todos os aspectos de nossas vidas, os artistas têm infinitas possibilidades de divulgar seus trabalhos e instigar as pessoas a comprá-los. A ideia de viver da sua arte, do seu sustento, – mesmo que isso não signifique ter a fama de um Lulu Santos ou virar um semideus tipo Roberto Carlos – é possível… Ainda que cheia de obstáculos poderosos e dificuldades brochantes pela frente, por trás, pelos lados, por cima, no meio, AI MEU DEUS TÁ ME PEGANDO!

Brincadeiras à parte, o mundo maravilhoso da internet ofereceu praticidade e também encurtou o caminho entre o artista e o público. Mas, por outro lado, colocou todo mundo na mesma sala de jantar com acesso ao wi-fi e à playlist da moda. Geral ocupado em nascer, morrer e, no meio disso tudo, escutar 30 segundos de cada música e já passar o dedo de cima para baixo na tela do celular, buscando a próxima emoção descartável.

Mergulhe em algo que te dê prazer. Com vontade, de forma profunda. A gente pode ficar na parte rasa da água do mar, mas todo mundo sabe que as coisas acontecem no fundo, longe dos outros e perto de nós mesmos.

Ajude aqueles que querem nos guiar nessa viagem. Apoie os artistas independentes e menores, sem deixar de cair de amores também pelos grandões, o que é absolutamente normal e igualmente gratificante. Um dia pode ser você a chegar à beira da praia com um bilhete onde se lê “somos bons, mas estamos perdidos” dentro de uma garrafa de vidro e, ao tentar jogá-lo ao mar, notar que existem milhões de garrafas iguais, boiando, esperando para serem achadas.

Encontramos a da Chris. Ops, acabamos de tropeçar na do André Prando, ao lado de um peixe “Voador” – https://www.catarse.me/andreprando. Fique ligado: em pouco tempo, a do Feito Café vai emergir por aí. E que honra seria ser encontrado por você.

Seguimos todos nós daquele jeito: por meio da arte de sorrir quando o mundo diz não.

Até logo, Bananada!

 

De 11 a 13 de maio, eu e Letícia desfrutamos de uma rotina dos sonhos – ao menos, dos nossos sonhos: três dias de shows fantásticos em Goiânia, durante a 20ª edição do Bananada, festival de música alternativa que figura entre os mais importantes do gênero no Brasil.

Escalação mais eclética, impossível. Gilberto Gil, Pablo Vittar, Nação Zumbi, Rincon Sapiência, Carne Doce, Violins, Ema Stoned, DJ Marky, Baianasystem e mais uma cacetada de artistas, do país e de fora dele, fizeram uma verdadeira festa no Shopping Passeio das Águas, local onde o evento foi realizado. E já está batendo aquela saudade de tudo o que rolou.

Eu queria muito que os integrantes do movimento “Ah, mas não tem mais nada que preste na música brasileira” estivessem por lá. De preferência, em bando. Eles poderiam escolher, inclusive, qualquer um dos quatro palcos para assistir com os próprios olhos esse tipo de afirmação tola cair por terra.

A música brasileira vai bem, obrigado. Aliás, ali no Bananada, ela encontrou um povo que tratou dela da maneira que sempre deveria ter sido. Sem distinguir um “filho” do outro. O mesmo amor, a mesma dedicação a todos os rebentos, tanto na plateia quanto na organização.

O povo que sacudiu ao som denso e igualmente intenso de Giovani Cidreira foi o mesmo que aplaudiu ao espetáculo lisérgico e estranhamente pop – num ótimo sentido – do Boogarins; quem vibrou com as rimas espertíssimas do rapper Emicida também sorriu com os olhos fechados enquanto Niela desfilava sua deliciosa “sofrência swingada” – pode chamar de “twee pop à brasileira” que também tá valendo.

Teve Francisco El Hombre mostrando mais uma vez que, se Joe Strummer, vocalista e guitarrista do The Clash, tivesse morado na Bahia e conhecido o Axé, certamente sairia de lá com um grupo parecido. Não há nada mais punk e mais brasileiro do que esses caras e essa garota maravilhosa, Juliana Strassacapa, que por onde passam, deixam um rastro de alegria e fúria.

Falando em fúria, o que dizer de Molho Negro? Sabe aquela banda de rock que você estava esperando para chamar de sua? É essa. Triozão básico e porradeiro, mas sem deixar de incluir letras espertas e uma presença “de palco/de fora de palco” arrasadora em seus shows. Assim que acabou a apresentação da banda, fui direto para a barraquinha do merchan, para comprar os disquinhos dos caras… Todos os que estivessem disponíveis!

Daí, você vai comprar aquele cdzinho maroto pra crescer a coleção e fazer aquele carinho nos ouvidos e quem você encontra lá, ajudando na venda dos produtos? Marcelo Costa, do Scream & Yell. O jornalista, um dos que a gente mais admira no cenário cultural, foi, como já é de praxe, simpaticíssimo conosco. E ainda deu aquela dica/puxão de orelha fofo do qual NUNCA MAIS iremos nos esquecer. “Vocês vieram para um festival desses e não trouxeram nenhum material físico? Deveriam trazer, pô! Tá todo mundo aqui.”

Pois é, leitor/leitora que tem banda ou projeto musical: o digital está aí, o streaming veio com força e o Spotify é uma potência… Ainda assim, em eventos como esse é essencial levar aquele CD ou pen drive com o EPzão que você tanto estima e quer mostrar pro mundo – Olá, “Barbacena”! Olho no olho na hora de entregar a um artista, produtor ou profissional do meio que você admira? Fazer contato, networking e até amizades mais sólidas através de um digipack? Gostamos! E faremos, daqui para frente. Obrigado, Marcelo!

E como o Marcelo mesmo disse, estava todo mundo lá. Organizadores de outros festivais, músicos de bandas que não tocaram no evento, produtores, jornalistas da área… Geral na batalha, acreditando nessa movimentação que segue mais contínua do que nunca… Embora desconhecida por muitos. Engraçado isso, né?

Uma boa parte dos motoristas que nos levaram ao evento, na ida e na volta, não sabiam do que se tratava o festival. “Bananada? E é legal o evento?” ou “Esse festival deve ser bom, já que vocês vieram de Angra dos Reis para assistir” eram as principais tiradas formuladas por eles. Para você ver. Um festival que tem 20 anos de existência, reconhecido no país todo como uma potência em se tratando de eventos do tipo, segue como um corpo estranho para muitos que moram no lugar onde ele é realizado. Isso não te diz algo?

A nós, do Feito Café, sim. Goiânia está mais “longe demais das capitais” do que a gente, que vive a duas horas e meia do Rio de Janeiro. Ainda assim, quando uma galera perseverante e com “sangue de música nos olhos” quer fazer as coisas acontecerem, elas acontecem. Pode demorar, pode ser difícil pra cacete, pode aparecer todo o tipo de obstáculo no caminho… Mas nada pode parar o amor por aquilo que se escolheu para fazer na vida.

Ou melhor, por aquilo que escolheu você.

Tchau, Bananada! Até daqui a pouco, palcos Sympla ou Catuaba Selvagem!

(Por Hugo Oliveira)

Dedos de café & linhas de prosa

Agora é oficial…

O Feito Café estreia, orgulhosamente, o blog “Dedos de café & linhas de prosa”, que vai divulgar as novidades, curiosidades e a própria rotina do duo formado por este que vos escreve – Hugo Oliveira – e Lê Pacheco.

A ideia é alimentar este espaço diariamente com tudo que possa interessar àqueles que curtem as músicas e letras criadas pelo duo, na intenção de aproximar ainda mais o Feito Café de seus admiradores.

Devolver todo o apoio que recebemos em dobro, às pessoas que tiraram quatro, três minutinhos de suas vidas para ouvir uma canção da gente, não é apenas um gesto de gratidão: é uma obrigação prazerosa.

Em tempos de internet, redes sociais etc., saber que existe alguém, em algum canto do mundo, que se identificou com uma música interpretada pelo Feito Café e, mais do que isso, tomou essa canção para si, é uma alegria que não se mede. Felicidade define.

Um pouco antes deste site, lançamos o nosso primeiro EP, Barbacena, uma obra muito simples e sincera. Esbocei grande parte das letras do EP numa viagem que eu e Letícia fizemos a Barbacena, em Minas Gerais, quando visitamos um querido casal de amigos.

Sempre tive muita dificuldade para dormir em viagens, em qualquer tipo de meio de transporte. Utilizo esses momentos solitários – provavelmente motivados por uma ansiedade crônica – para relembrar passagens importantes da minha vida, refletir sobre o que está acontecendo na atualidade, sonhar… E escrever letras de canções.

“Erro, não nego; acerto quando puder”, “Seu e sim” e nosso primeiro single avulso, “Feito café”, certamente estavam entre as músicas que nasceram na ida e na volta a Barbacena. Inclusive, uma canção ainda não lançada, intitulada “Barbacena”, também veio ao mundo em meio ao trajeto que leva ao lar de Felipe e Thaty.

Ora, mas por que não lançar a música “Barbacena” no EP de mesmo nome? Resposta: por puro preciosismo de minha parte. Preciosismo de quem é fanático por cultura pop e que um dia, ainda moleque, comprou o disco Waiting For The Sun, da banda americana The Doors, e viu que a música que dava nome ao álbum estava no disco seguinte do quarteto, Morrison Hotel.

Por aqui, a música – e seus pormenores – é o que manda. Fico feliz que você também está com a gente nessa. Até logo!